Última atualização: 29/10/2026. Não há edital nem previsão para a Controladoria-Geral do Município (CGM). O último concurso foi em 2014 — há 12 anos. Há uma banca contratada para um concurso geral da prefeitura, mas sem confirmação de que inclua cargos da CGM.
O fato novo que pode mexer com esse quadro vem do controle externo: em 30 de julho de 2026, o TCE-PE concluiu auditoria especial apontando excesso de comissionados na administração direta do Recife — 16 de 27 órgãos com mais da metade do quadro comissionado, e cinco órgãos inteiramente de livre nomeação — e deu à prefeitura 180 dias para revisar a estrutura. A CGM não é citada nominalmente, e a determinação não é autorização de concurso — mas é pressão real, com prazo correndo.
Como a carreira nasceu
A CGM foi criada pela Lei municipal nº 17.707/2011. Antes de 2014, suas auditorias eram feitas por Auditores do Tesouro Municipal — ou seja, por pessoal do fisco, emprestado ao controle interno.
A Lei nº 17.977/2014 mudou isso, criando a carreira de Gestores Governamentais de Controle Interno, que passou a executar as auditorias. E a Lei nº 19.082/2023 deu à CGM uma nova estrutura funcional, ampliou o quadro e lhe atribuiu quatro macrofunções: controladoria, corregedoria, ouvidoria e auditoria.
Uma ressalva honesta sobre o nome do cargo: o edital de 2014 foi aberto para "Analista de Controle Interno", enquanto o manual de auditoria do órgão chama a carreira de "Gestor Governamental de Controle Interno", criada pela lei do mesmo ano. Os registros disponíveis não explicitam se houve renomeação do cargo ou se são posições distintas da mesma carreira — e a própria lista oficial de legislação da CGM está incompleta, pois não traz nenhuma das duas leis.
Situação atual
| Data | Etapa |
|---|---|
| 2011 | Lei nº 17.707 cria a CGM |
| 2014 | Lei nº 17.977 cria a carreira de controle interno |
| 21/09/2014 | Prova do único concurso, pela FGV |
| 2023 | Lei nº 19.082 reestrutura a CGM e amplia o quadro |
| 30/07/2026 | TCE-PE dá 180 dias à prefeitura para revisar comissionados |
Há uma banca IBADE contratada por dispensa de licitação, publicada no Diário Oficial de 7 de outubro de 2023, por cerca de R$ 2,5 milhões, para um concurso geral da prefeitura de nível superior, técnico e médio, com 306 vagas anunciadas. O edital não foi publicado, e não há confirmação de que inclua cargos da controladoria.
Atenção a uma matéria que engana: a reportagem mais encontrada sobre esse concurso foi atualizada em maio de 2025, mas se baseia na publicação de outubro de 2023 — circula como atual, e a lista de cargos que ela sugere é especulativa.
Como foi o único concurso
Edital nº 02, de 15 de julho de 2014, banca FGV, cargo de Analista de Controle Interno, nível superior, em três áreas — 30 vagas:
| Área | Vagas |
|---|---|
| Finanças Públicas | 25 (22 ampla + 3 PcD) |
| Obras Públicas | 3 |
| Tecnologia da Informação | 2 |
A remuneração em 2014 era de R$ 2.800 — vencimento básico da referência inicial mais adicional de desempenho de até 100% do vencimento. Taxa de R$ 118,00. Há um deslize no próprio edital, cujo anexo divergia da data de encerramento das inscrições prevista no corpo do texto.
A prova, em 21 de setembro de 2014, teve 80 questões de cinco alternativas, das 8h às 13h, e sem discursiva. O que torna esse edital interessante é o sistema de pesos. Na área de Finanças Públicas:
| Disciplina | Questões | Peso |
|---|---|---|
| Direito Financeiro | 10 | 2 |
| Contabilidade Pública | 10 | 2 |
| Noções de Direito Tributário e do Trabalho | 10 | 1 |
| Língua Portuguesa | 8 | 2 |
| Controle Interno, Ética e Transparência | 8 | 2 |
| Direito Administrativo | 8 | 2 |
| Contabilidade Geral | 8 | 1 |
| Estatística | 6 | 1 |
| Auditoria Governamental | 6 | 2 |
| Direito Constitucional | 6 | 1 |
A soma de pesos chegava a 130. As duas disciplinas de maior peso eram Direito Financeiro e Contabilidade Pública, com 10 questões de peso 2 cada — e Direito Financeiro em primeiro lugar é raro: na maioria dos concursos de controle, ele é disciplina secundária. Nas áreas de Obras Públicas e TI, as 28 questões específicas davam lugar a 14 mais 14 de engenharia ou de tecnologia, com peso 2, somando 148 pontos de peso.
O corte exigia 50% nos conhecimentos básicos e 50% nos específicos — as duas barreiras separadamente.
Como se preparar agora
O que vale acompanhar no Recife são duas coisas concretas: a resposta da prefeitura à determinação do TCE-PE, cujo prazo de 180 dias corre desde julho de 2026, e a eventual publicação do edital geral da prefeitura pelo IBADE, para ver se o quadro de cargos inclui a controladoria. São os dois caminhos reais pelos quais um concurso pode aparecer.
Para estudar desde já, o núcleo da área de controle atende de uma vez o concurso da CGU, que tem prova marcada, a SCGE-PE e o TCE-PE, que são as portas de entrada da área em Pernambuco.
Três confusões para descartar: a SCGE-PE é a controladoria do estado, com cargo de Gestor Governamental; o Auditor do Tesouro Municipal do Recife é o fisco municipal — justamente o pessoal que ocupava a CGM antes de 2014; e os concursos da Câmara Municipal do Recife e da Guarda Municipal são de outros órgãos.
Perguntas frequentes sobre o concurso da CGM Recife
Tem concurso da CGM Recife previsto?
Não há edital nem previsão específica para a Controladoria-Geral do Município. O último concurso foi em 2014 — há 12 anos.
O que o TCE-PE determinou em julho de 2026?
Em 30 de julho de 2026 o tribunal concluiu auditoria especial apontando excesso de comissionados na administração direta do Recife — 16 de 27 órgãos com mais da metade do quadro comissionado e cinco inteiramente de livre nomeação — e deu à prefeitura 180 dias para revisar a estrutura. A CGM não é citada nominalmente, e a determinação não é autorização de concurso.
O concurso geral da prefeitura inclui a controladoria?
Não há confirmação. A banca IBADE foi contratada por dispensa de licitação, em publicação de 7 de outubro de 2023, por cerca de R$ 2,5 milhões, para um certame com 306 vagas anunciadas de nível superior, técnico e médio — mas o edital nunca foi publicado, e qualquer lista de cargos que circule é especulativa.
Qual é o nome do cargo da controladoria do Recife?
Há uma ambiguidade real: o edital de 2014 foi aberto para "Analista de Controle Interno", enquanto o manual de auditoria do órgão chama a carreira de "Gestor Governamental de Controle Interno", criada pela Lei nº 17.977/2014. Não está explicitado se houve renomeação ou se são posições distintas da mesma carreira.
Quantas vagas teve o concurso de 2014?
Trinta: 25 em Finanças Públicas (22 de ampla concorrência e 3 para PcD), 3 em Obras Públicas e 2 em Tecnologia da Informação.
Qual era a remuneração em 2014?
Cerca de R$ 2.800, somando o vencimento básico da referência inicial e o adicional de desempenho de até 100% do vencimento. É valor daquele ano, hoje desatualizado.
Como foi a prova da FGV em 2014?
Oitenta questões de cinco alternativas, das 8h às 13h, sem discursiva, com sistema de pesos: a soma chegava a 130 pontos de peso na área de Finanças Públicas e a 148 nas áreas de Obras Públicas e TI. O corte exigia 50% nos conhecimentos básicos e 50% nos específicos, separadamente.
Quais disciplinas pesavam mais?
Direito Financeiro e Contabilidade Pública, com 10 questões de peso 2 cada. Direito Financeiro em primeiro lugar é raro — na maioria dos concursos de controle ele é disciplina secundária.
CGM Recife e SCGE-PE são a mesma coisa?
Não. A CGM é a controladoria do município do Recife e a SCGE-PE é a do governo do estado, com cargo de Gestor Governamental. Também não confunda com o Auditor do Tesouro Municipal, que é o fisco, nem com os concursos da Câmara Municipal e da Guarda Municipal.
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